Se não fosse pelo Oscar, “Black Swan“, não estaria fazendo tanto “barulho” pelas salas de cinema. O filme, mesmo contando com a ajuda de Natalie Portman no papel principal, muito provavelmente seria exibido em meia dúzia de salas de cinema de arte pelo pais.

Acontece que o cinema americano está em crise. Uma crise silenciosa, financeira e principalmente criativa. A greve dos roteiristas de alguns anos atrás; a crise americana e o coma do cinema independente; e a sistemáticaa fórmula de franquias acabou com as produções norte americanas. Hollywood se resumiu a remakes, adaptações de quadrinhos e continuações estapafúrdias. Os grandes estúdios estacionaram suas produções em fórmulas que nem Syd Field teria ousado criar em um de seus manuais de roteirismo. Por outro lado a crise financeira acabou com o cinema independente americano, quebrando renomadas, Miramax por exemplo, e pequenas produtoras do cinema alternativo. O frescor e invetividade do cinema não comercial americano sempre foi fonte inspiradora e força transformadora do dito cinemão, que a cada temporada se alimentava dos lançamentos cults que por sua vez só eram produzidos e distribuídos como um refugo da industria cultural. E assim, se retro alimentando o cinema segua adiante. Mas fazia tempo que boas histórias não eram contadas.

Dos dez filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme, seis foram produzidos e distribuídos por produtoras independentes, com um orçamento entre 2 a 40 milhões, com exceção da “Inception” 160 milhões e “Toy Story 3″, 200 milhões de dólares. Isso significa que um filme como “Inception”,  já estréia um blockbuster, 3792 cópias, enquanto  “Black Swan”, estreou com 18 cópias.

“Black Swan”,  mas do que um grande filme de Aronofsky, com cinematografia apurada, refletida nos espelhos que destorcem a percepção imagética da pisque perturbada da bailarina clássica, simbolo universal da imaculada alma feminina; do negativo granulado e a fotografia crua que faria Cassavetes se orgulhar; da complexidade de estruturar narrativa de um pisco drama nas bases do realismo fantástico de Calvino, conduzindo a audiência por um labirinto mental onde a realidade nada mais é do que a paranóia estérica dos conflitos internos da personagem; da precisa e completa atuação física e emocional da Natalie Portman; é um frescor no fazer cinema. No fazer industrial do cinema. Assim como, The Hurt Loker” em 2010, “Black Swan” representa a urgência em se recriar o cinema americano. Um filme com 4 locações, ou feito em 16mm, ser indicado ao Oscar, é pra mim um grande passo para que chegue ao fim a era das franquias, das pirotecnias visuais e narrativas vazias.

Torço para que “Back Swan”, e o bom cinema sejam os grandes vencedor do Oscar 2011.

Certa vez, um amigo, um pouco mais velho, numa inflamada discussão de boteco sobre cinema, disse que o problema da minha geração era que só sabia criticar e não tinha critério pra definir o que gosta. Em seguida veio a pergunta: “Quais são seus diretores prediletos”. No dia eu não soube responder. Ele tinha razão.

Muitos anos depois eu consegui pensar em meus diretores prediletos. Quando eu comecei a planejar esse post eu pensei que uma lista de cinco bastaria. Ledo engano. A tarefa se tornou difícil e preferi fazer um Top Ten, deixando de fora vários diretores de filmes que adoro. Bom, o mais legal foi que aquela discussão de boteco me fez refletir sobre meus conceitos estéticos e narrativos, e a identificar o que eu realmente gosto no cinema. Sim, sou da geração MTV. Kubrick que me perdoe…

TOP TEN (não necessariamente nessa ordem, mas acho que o Jeunet continuaria em primeiro)

01Jean Pierre Jeunet

Delicatessen – Jean Pierre Jeunet

02 – Wes Anderson

Sequência de abertura do “The Darjeeling Limited” de Wes Anderson

03 - Emir Kusturica

Blue Gypsy

04Tim Burton

Big Fish – Tim Burton (esse é o filme do Tim com mais cara de Danny)

05Terry Gilliam

Brazil, o Filme – Terry Gilliam

06 – Wong Kar Wai

Amor a Flor da Pele

07Joel Coen & Ethan Coen

Fargo – Brothers Coen

08Danny Boyle

Trainspotting – Danny Boyle

09 -Michel Gondry

Human Nature – Michel Gondry

10 – Jim Jarmusch

Ghost Dog – Jim Jarmusch

O critério mais importante pra fazer essa lista é a filmografia desses diretores e como elas me influenciam.
Em algum momento vou tentar falar mais sobre cada um deles individualmente.

Narrativas de Papel

24/02/2010

A primeira vez que eu vi um trabalho de Jamie Caliri, Dragon, meu olhar estava muito voltado pra motion graphics quanto a narrativas visuais.
Fiquei imprecionado com o poder estético e com a fluidez que uma cena se transformava na outra com um explosão de estímulos visuais, e principalmente pela narrativa precisa da história contada.

Dragon – United Airlines

Mas foi só quando, por acaso, eu encontrei o making off do comercial da United Airlines, que minha mente realmente explodiu. Toda a beleza visual, que pra mim tinha sido criada em layouts digitais animados em programas como After Effects, era na verdade fruto de uma animação stop-motion minunsiosamente elaborada. Cenários e personagens todos criados em papel recortado. Toda a sequência narrativa fotografada quadro a quadro. Assistir ao making off foi tão exepecional quanto assitiar ao próprio filme que teve sua primeira exibição no Super Bowl de 2006.

Dragon Making Off

Em 2009, Jamie, ganhou um Emmy pela abertura da série de TV United States of Tara. Um bélissimo trabalho de stop-motion onde a toda a narrativa se passa dentro de um livro de pop-up.

United States of Tara – Title Sequence

Jamie Caliri, além de produzir outro comercial pra campanha da United Airlines, produziu também os créditos de encerramento de Madagascar 2 – Escape to Africa e Lemony Snicket’s A Series of Unfortunate Events, também usando técnicas de recorte de pepal e stop-motion.

Em entrevista ao site Forguet the Film Watch the Titles, Jamie fala de seu processo criativo, da importância da narrativa cinematográfica no seu trabalho e a simplicidade de sequências de abertura que inspiram seu trabalho.

Entrevista com Jamie Caliri

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Olhos de Resaca

17/06/2009

captu-blog

Luiz Fernando Carvalho talvez merecesse estar na minha lista top ten de diretores. No entanto ele só tem um longa metragem e um dos critérios da lista era a filmografia. Mas em compensação tem uma das mais brilhantes carreiras de dramaturgia para televisão.

Bom, mas esse post não é exatamente sobre ele ou sobre a obra dele. Esse post é sobre o excepcional trabalho da Lobo na produção da vinheta de abertura da série para a Rede Globo, Capitu, dirigida por Luiz Fernando.

Capitu – Abertura

O processo de produção da abertura da série foi todo feito manualmente da confecção dos layouts a animação stop motion.

Making Of da Abertura

A Lobo também produziu a abertura da primeira série do projeto Quadrante, do qual faz parte Capitu. Pedra do Reino, da obra de Ariano Suassuna, com direção de Luiz Fernando.

Abertura Pedra do Reino

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21:9

19/04/2009

Recentemente a Philips lançou uma campanha interativa para divulgar seu mais novo produto entre os televisores. A TV de LCD Cinema 21:9 HDTV. Deixando de lado as novidades tecnológicas dessa TV de 56 polegadas e de proporções cinematográficas, 21:9 ao invés do tradicional 16:9, que estará disponível no mercado europeu a partir de junho pela bagatela de €4.000,00.
O diretor Adam Berg da STINK, assina a direção de um filme único onde a câmera passeia por um momento congelado de um épico encontro entre policiais e ladrões disfarçados de palhaços. Não sendo o bastante o filme em si e seu poderoso visual, a sequência é um loop revelador e a versão da internet no site oficial conta com uma divertida interatividade onde se pode navegar pelo filme e assistir a suspeitas cenas dos bastidores. O projeto foi realizado pelo braço nerd da STINK, como eles mesmos se chamam, a STINK DIGITAL.

Carousel – Adam Berg


Um dos aspectos mais interessantes desse projeto é a grandiosidade (tempo e dinheiro) de um filme publicitário totalmente feito para a internet. Será que é o início do fim do Super Bowl???

Já faz tempo que os discos de Moby vem acompanhados de grandes video clipes, ou será que os grandes video clipes de Moby vem acompanhados de discos.
Quem não se lembra do drama dos minúsculos ETs tentando fazer contato com seres humanos apressados pelas ruas de NY.

In This World – Moby 18


Alguns anos atrás Moby lançou um concurso na internet para a realização de um dos seus clipes. Já tem um tempo que o cara usa a net pra divulgar seus trabalhos e interagir com seus fãs. O próximo álbum de Moby, Wait for Me, só será lançado em 30 de junho, mas o primeiro video clipe do disco já foi lançado. A música em mp3 e o video já estão disponíveis no site do Moby.
Segundo o próprio Moby, seu próximo álbum foi inspirados em filmes de David Lynch como “Veludo Azul” e “Cidade dos Sonhos”. Como uma forma de agradecimento pela admiração que assina a direção do clipe “Shot in the Back of the Head” é o próprio David Lynch. Surpreendente mente o video é uma animação bem soturna. A surpresa logicamente é pela animação e não pela estética sombria.

Shot in the Back of the Head


David Lynch, no seu projeto DLF.TV entrevista Moby sobre seu novo album.

David Lynch and Moby: Music & Abandoned Factorie

Pra aqueles que não sabem, Adam Spiegel é ninguém mais ninguém menos que Spike Jonze. Pra quem não sabe quem é Spike Jonze uma pequena dica:
Pense em todos os grandes clipes dos anos 90 que vierem a sua cabeça. Os mais malucos com certeza são de Jonze. Quem não se lembra do antológico cachorro de perna quebrada e muleta andando pelas ruas de NY ao som de Daft Punk – Da Funk, ou do caricatural trio de detetives do Sabotage dos Beast Boys e da dancinha de Praise You do Fatboy Slim na porta de um cinema por um grupo de pessoas liderados por Jonze em pessoa, . Além de video clipes Jonze também dirigiu grandes comerciais, é um dos criadores e produtor do famigerado Jackass. Dirigiu dois longas do roteirista Charlie Kaufman, Quero ser John Malkovich e Adaptação.
Em outubro desse ano Spike Jonze vai lançar seu novo filme, “Where the Wild Things Are”.


Where The Wild Things Are from tiago on Vimeo.

Adaptação pro cinema de um clássico da literatura infantil americana, escrito em 63 pelo novaiorquino Maurice Sendak. Tratasse da história de um menino que ao ficar de castigo no seu quarto imagina um mundo fantástico povoado pelos “Wild Things”.
Nada melhor que um dos diretores mais imaginativos e criativos pra dirigir um filme que fala do poder da imaginação.