O Patinho Feio e o Oscar
22/02/2011
Se não fosse pelo Oscar, “Black Swan“, não estaria fazendo tanto “barulho” pelas salas de cinema. O filme, mesmo contando com a ajuda de Natalie Portman no papel principal, muito provavelmente seria exibido em meia dúzia de salas de cinema de arte pelo pais.
Acontece que o cinema americano está em crise. Uma crise silenciosa, financeira e principalmente criativa. A greve dos roteiristas de alguns anos atrás; a crise americana e o coma do cinema independente; e a sistemáticaa fórmula de franquias acabou com as produções norte americanas. Hollywood se resumiu a remakes, adaptações de quadrinhos e continuações estapafúrdias. Os grandes estúdios estacionaram suas produções em fórmulas que nem Syd Field teria ousado criar em um de seus manuais de roteirismo. Por outro lado a crise financeira acabou com o cinema independente americano, quebrando renomadas, Miramax por exemplo, e pequenas produtoras do cinema alternativo. O frescor e invetividade do cinema não comercial americano sempre foi fonte inspiradora e força transformadora do dito cinemão, que a cada temporada se alimentava dos lançamentos cults que por sua vez só eram produzidos e distribuídos como um refugo da industria cultural. E assim, se retro alimentando o cinema segua adiante. Mas fazia tempo que boas histórias não eram contadas.
Dos dez filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme, seis foram produzidos e distribuídos por produtoras independentes, com um orçamento entre 2 a 40 milhões, com exceção da “Inception” 160 milhões e “Toy Story 3″, 200 milhões de dólares. Isso significa que um filme como “Inception”, já estréia um blockbuster, 3792 cópias, enquanto “Black Swan”, estreou com 18 cópias.
“Black Swan”, mas do que um grande filme de Aronofsky, com cinematografia apurada, refletida nos espelhos que destorcem a percepção imagética da pisque perturbada da bailarina clássica, simbolo universal da imaculada alma feminina; do negativo granulado e a fotografia crua que faria Cassavetes se orgulhar; da complexidade de estruturar narrativa de um pisco drama nas bases do realismo fantástico de Calvino, conduzindo a audiência por um labirinto mental onde a realidade nada mais é do que a paranóia estérica dos conflitos internos da personagem; da precisa e completa atuação física e emocional da Natalie Portman; é um frescor no fazer cinema. No fazer industrial do cinema. Assim como, “The Hurt Loker” em 2010, “Black Swan” representa a urgência em se recriar o cinema americano. Um filme com 4 locações, ou feito em 16mm, ser indicado ao Oscar, é pra mim um grande passo para que chegue ao fim a era das franquias, das pirotecnias visuais e narrativas vazias.
Torço para que “Back Swan”, e o bom cinema sejam os grandes vencedor do Oscar 2011.
Kubrick Que Me Perdoe (reeditado)
13/04/2010
Certa vez, um amigo, um pouco mais velho, numa inflamada discussão de boteco sobre cinema, disse que o problema da minha geração era que só sabia criticar e não tinha critério pra definir o que gosta. Em seguida veio a pergunta: “Quais são seus diretores prediletos”. No dia eu não soube responder. Ele tinha razão.
Muitos anos depois eu consegui pensar em meus diretores prediletos. Quando eu comecei a planejar esse post eu pensei que uma lista de cinco bastaria. Ledo engano. A tarefa se tornou difícil e preferi fazer um Top Ten, deixando de fora vários diretores de filmes que adoro. Bom, o mais legal foi que aquela discussão de boteco me fez refletir sobre meus conceitos estéticos e narrativos, e a identificar o que eu realmente gosto no cinema. Sim, sou da geração MTV. Kubrick que me perdoe…
TOP TEN (não necessariamente nessa ordem, mas acho que o Jeunet continuaria em primeiro)
01 – Jean Pierre Jeunet

Delicatessen – Jean Pierre Jeunet
02 –
Wes Anderson

Sequência de abertura do “The Darjeeling Limited” de Wes Anderson
03 - Emir Kusturica

Blue Gypsy
04 – Tim Burton

Big Fish – Tim Burton (esse é o filme do Tim com mais cara de Danny)
05 – Terry Gilliam

Brazil, o Filme – Terry Gilliam
06 – Wong Kar Wai

Amor a Flor da Pele
07 – Joel Coen & Ethan Coen

Fargo – Brothers Coen
08 –
Danny Boyle

Trainspotting – Danny Boyle
09 -Michel Gondry

Human Nature – Michel Gondry
10 – Jim Jarmusch

Ghost Dog – Jim Jarmusch
O critério mais importante pra fazer essa lista é a filmografia desses diretores e como elas me influenciam.
Em algum momento vou tentar falar mais sobre cada um deles individualmente.
Narrativas de Papel
24/02/2010
A primeira vez que eu vi um trabalho de Jamie Caliri, Dragon, meu olhar estava muito voltado pra motion graphics quanto a narrativas visuais.
Fiquei imprecionado com o poder estético e com a fluidez que uma cena se transformava na outra com um explosão de estímulos visuais, e principalmente pela narrativa precisa da história contada.
Dragon – United Airlines
Mas foi só quando, por acaso, eu encontrei o making off do comercial da United Airlines, que minha mente realmente explodiu. Toda a beleza visual, que pra mim tinha sido criada em layouts digitais animados em programas como After Effects, era na verdade fruto de uma animação stop-motion minunsiosamente elaborada. Cenários e personagens todos criados em papel recortado. Toda a sequência narrativa fotografada quadro a quadro. Assistir ao making off foi tão exepecional quanto assitiar ao próprio filme que teve sua primeira exibição no Super Bowl de 2006.
Em 2009, Jamie, ganhou um Emmy pela abertura da série de TV United States of Tara. Um bélissimo trabalho de stop-motion onde a toda a narrativa se passa dentro de um livro de pop-up.
United States of Tara – Title Sequence
Jamie Caliri, além de produzir outro comercial pra campanha da United Airlines, produziu também os créditos de encerramento de Madagascar 2 – Escape to Africa e Lemony Snicket’s A Series of Unfortunate Events, também usando técnicas de recorte de pepal e stop-motion.
Em entrevista ao site Forguet the Film Watch the Titles, Jamie fala de seu processo criativo, da importância da narrativa cinematográfica no seu trabalho e a simplicidade de sequências de abertura que inspiram seu trabalho.
Entrevista com Jamie Caliri
A Insustentável Leveza do Mercado Financeiro
13/07/2009
Fake é o nome do filme que a agência Venables Bell & Partners criou para o Barclays Bank.
A idéia era mostrar como a fragilidade de um mercado especulativo precisa de instituições financeiras consolidadas.
Bom, o que me fez gostar desse filme é que me divirto toda vez que a publicidade mostra como realmente a “máquina” funciona e como o mundo capitalista é de fato frágil.
O filme foi dirigido por Nicolai Fuglsig, produzido pela MJZ e pós-produção da The Mill.
Esse filme também me lembrou uma tirinha do Laerte, que me inspirou pro nome do post.
[]‘s
House of Imagination
12/07/2009
Eu costumo dizer que trabalho com algo onde tudo é possível e filmes como o promo de 2 minutos da nova identidade do SyFy confirmam isso.
O rebrand do Sci-Fi Channel, mais do que só um fantástico promo e uma nova logo marca, é um reposicionamento estratégico da marca diante das novas mídias. Segundo o presidente do canal, Dave Howe, SyFy fortalece a marca para a novas plataformas e mídias digital.
O promo foi dirigido por Brett Foraker da 4Creatives a produzido pela Moving Picture Company, a mesma empresa que produzido “Philips, Carousel”. No site da SyFy é possível interagir com o promo e percorrer as diversas salas da mansão, assistindo ao making of de cada cena.
A nova maraca trabalho tem sido desenvolvido com a Landor & Associates, e contou com cerca de 300 possibilidades diferentes até chegarem no atual SyFy.
[]‘s
Olhos de Resaca
17/06/2009
Luiz Fernando Carvalho talvez merecesse estar na minha lista top ten de diretores. No entanto ele só tem um longa metragem e um dos critérios da lista era a filmografia. Mas em compensação tem uma das mais brilhantes carreiras de dramaturgia para televisão.
Bom, mas esse post não é exatamente sobre ele ou sobre a obra dele. Esse post é sobre o excepcional trabalho da Lobo na produção da vinheta de abertura da série para a Rede Globo, Capitu, dirigida por Luiz Fernando.
Capitu – Abertura
O processo de produção da abertura da série foi todo feito manualmente da confecção dos layouts a animação stop motion.
Making Of da Abertura
A Lobo também produziu a abertura da primeira série do projeto Quadrante, do qual faz parte Capitu. Pedra do Reino, da obra de Ariano Suassuna, com direção de Luiz Fernando.
Abertura Pedra do Reino
[]‘s
Sorry I’m Late
14/06/2009
Sorry I’m Late é um curta em stop motion. Seguindo a linha de vídeos como Her Morning Elegance, video clipe de Oren Lavie, toda a ação é criada com pessoas e cenário se movimentando no chão em um angulo de 90º em relação da câmera fixa. Além disso o personagem interage com objetos fotografado no primeiro plano para que as escalas correspondam. O resultado é uma divertida e criativa sequência narrativa.
Sorry I’m Late
Direção de Tomas Mankovsky e produzido pela Blink
Os estudos e making of pra produção do video podem e devem ser assistidos. Clique aqui para assistir.
Her Morning Elegance
Dirigido por Oren Lavie, Yuval e Merav Nathan
Yeah Yeah Yeah La La La
25/05/2009
A Coca Cola lançou no último dia 11 em Londres a sua nova campanha para o verão europeu.
Um divertido e bizarro piano de gremiles trás toda a magia do verão com um certo Q de nostalgia pela música do produtor Calvin Harris que com 23 anos é um fenômeno surgido na net.
O comercial foi criado pela Mother, London, dirigido por e produzido pela Blink.
Assista o making of e a entrevista exclusiva com Calvin Harris.
“La Grama Del Vecino…”
03/05/2009
Estou de malas prontas pra uma curta temporada em Buenos Aires.
Sempre gostei do estilo Argentino de fazer filmes, sobre tudo os filmes publicitários. Acho que não só os filmes possuem uma estética e um humor muito próprio, como também os roteiros tem uma certa sutileza bem humorada.
Sem querer tirar o mérito da nossa produção que, ao menos, o que diz respeito a filmes publicitários é fantástica, mas temos sempre a mania de achar que a a grama do vizinho é mais verde que a nossa.
Para explicar um pouco melhor sobre a maneira argentina de fazer filmes, selecionei um spot dirigido pela dupla 300ml, recentemente contratados pela Mixer, para o El Ojo, festival iberoamericano de publicidade.
Camila Melones
Apesar de não serem argentinos vale a pena assistir os outros trabalhos da dupla 300ml. Além de comerciais incríveis o curta Tarantino’s Mind com Selton Melo e Seu Jorge é imperdível.
[]‘s
Praxinoscope
25/04/2009
Pra quem não sabe, o praxinoscópio é uma evolução do famoso zootrópio, um dos primeiros artefatos a produzir imagens sequenciadas em movimento, ou seja, as origens do cinema.
Nesse video clipe do músico britânico Moray Mclaren – We Got Time, o diretor David Wilson volta as origens do cinema. Tendo uma série de praxinoscópios como base de um video de animações poderosas e loops piscicodélicos, David cria uma série de narrativas que representam ciclos da vida.
O resultado final foi todo feito com imagens captadas sem nenhuma computação gráfica.
Moray Mclaren – We Got Time
Assista ao making of








