O storytelling pode ajudar a contar histórias que fazem a diferença, sejam pessoais, de marcas ou produtos. 
 

Preparei um pequeno guia para quem quer entender um pouco mais sobre essa jornada fundamental para uma comunicação criativa e engajadora. Além de apresentar 2 princípios e 6 elementos fundamentais na criação de um storytelling.

 

Prelúdio

Antes de mais nada, permita-me contar um pouco de como descobri o storytelling

Sempre fui encantado por histórias de capa espada e fantasias medievais. Por conta disso, na adolescência, acabei conhecendo o fascinante mundo geek do RPG e do AD&D – Advanced Dungeons and Dragons, uma versão mais elaborada do jogo que inspirou a famosa série de animação, "Caverna do Dragão". Role Play Game, ou Storytelling Game, é um jogo de interpretação. Assim como na animação, os jogadores incorporam diferentes personagens, enquanto, o Dungeon Master, ou Mestre do Jogo, narrar as aventuras que desafiam o grupo. Assim começou minha aventura na "contação" de histórias. 

Mais tarde, na faculdade de comunicação, percebi que o áudio visual era um espaço incrível para continuar contando histórias. Seguindo o inevitável chamado à aventura, me tornei diretor de filmes, dedicando minha carreira à narrativa visual. A experiência com séries de ficção e filmes publicitárias me proporcionaram uma profunda intimidade com o storytelling.

 

Naturalmente, me aproximei da criação de roteiros audio visuais. Nessa aventura contei com a ajuda de grandes mentores: formação em script pela FXPHD;  formação em criação de series de ficção pelo Núcleo de Roteiro do B_arco; e formação na Jornada do Herói pela Monomito - Mythological RoundTable Rio de Janeiro associada a Joseph Campbell Foundation.


Agora, quero ajudar pessoas, empresas e marcas a contarem suas próprias histórias. 

 

Mas Afinal, o Que é Storytelling?

A melhor maneira de compreender o que é storytelling é analisar o significado das duas palavras em inglês que juntas formam o termo: story + telling. Story quer dizer história ficcional ou real, imaginada ou vivenciada, um conto, argumento, trama ou narrativa. Nunca, no entanto, diz respeito a História cronológica ou a descrição histórica. Já o telling é literalmente a ação de contar ou narrar.


Sendo assim storytelling se refere ao contar histórias, ao contar tramas narrativas. 
 

Elaborando um pouco mais, pode se dizer, que story é a parte de uma narrativa que corresponde ao o que está sendo contado, o assunto, os personagens, a trama, os conflitos, desafios e conquista; enquanto o telling é a forma e o meio onde esta história está sendo narrada, seu estilo, técnica e maneira de contar. Por tanto, podemos pensar no storytelling como o conteúdo e a forma de uma estrutura narrativa. 

Storytelling = Estrutura Narrativa

 

Narrativa vs. Enunciado
 

Storytelling ou Estrutura Narrativa não é única forma eficaz de se criar uma comunicação, no entanto é a forma que mais proporciona um engajamento emocional na audiência com um determinado conteúdo. Ao escutar, ler ou ver uma história, quando bem contada, o corpo humano estimula a produção hormonal e cria sinapses cerebrais que fazem com que aquela narrativa, seja percebida como um acontecimento do qual se faz parte. Não por acaso, muitas pessoas têm reações físicas quando assistem um filme de terror, ou se emocionam ao ponto de derramar lágrimas com uma história de amor ou drama. 

 

A empatia que uma estrutura narrativa bem-feita causa na audiência é o principal poder do storytelling.

 

Essa capacidade humana de contar história se mistura com a própria evolução do homo sapiens. Enquanto no reino animal várias outras espécies conseguem se comunicar de forma simples, somente a espécie humana é capaz de elaborar uma narrativa para transmitir conhecimento. A maioria das espécies animais, até mesmo os humanos, utilizam a comunicação enunciativa para alerta de perigos eminentes, afastar outros membros do grupo, dizer que está com fome ou excitado, etc.

Essa comunicação imediata é o que é chamado de enunciado. Sem dúvida essa forma de comunicar é muito importante e é utilizada até hoje inclusive para comunicação empresarial e publicitária. Até pouco tempo atrás a publicidade televisiva era conhecida como reclame, que tem na sua origem latina na junção de re (outra vez) + clāmō (clamar, gritar). Isso pelo fato da propaganda ser uma comunicação que interrompia o conteúdo, literalmente clamando pela atenção da audiência ao enunciar esse ou aqueles benefícios e características de um produto. Com o passar do tempo a publicidade passou a utilizar da estrutura narrativa pra fortalecer um conceito e uma cultura de marca ou produto.

A internet, principalmente em se tratando das redes sociais, é por natureza um meio de propagação da comunicação enunciativa. O timeline do Facebook, os 140 caracteres do Twitter, ou até mesmos as fotos do Instagram, funcionam muito mais como uma sentença curta, imediatista, que enuncia e anuncia um acontecimento ou um momento, características e benefícios, do que uma elaboração narrativa complexa que ativa a empatia da audiência. 

 

"A História do Menino e o Leão Taú"
 

Para exemplificar melhor a diferença da comunicação narrativa e a comunicação enunciativa nada melhor do que contar uma história que se passou a muitos anos na savana africana:
 

"Um belo dia ensolarado, alguns jovens da tribo resolveram se refrescar nas águas cristalinas do Lago Proibido a sombra de um enorme baobá. De repente, de forma furtiva, saem das moitas por trás do grupo três grandes leões. Um jovem da tribo que se banhava dentro do lago foi o único a perceber a aproximação das feras. Imediatamente ele gritou: "Perigo!!! Fujam!!!! Pra água!!!". A maioria dos jovens nunca haviam visto um leão antes, mas o tamanho das presas e das garras os assustaram muito. O grupo pulou na água e fugiu para margem oposta enquanto os leões rugiam e golpeavam o ar com suas terríveis patas. 
 

À noite, na aldeia, o ancião que ficou sabendo do ocorrido reuniu os jovens ao redor da fogueira e contou história do Leão Taú o rei da savana. Taú era malvado matava todos que cruzavam seu caminho, bicho ou seres humanos. Um dia um menino, que andava sozinho pela mata escutou um grito terrível de lamento e dor. Assustado, mas curioso, o menino seguiu o terrível rugido. Aprisionado em uma armadilha pela pata dianteira Taú gritava de dor. Ao ver que o menino o observava, Taú, com uma voz doce disse:


– Menino, venha até aqui e me tire dessa terrível armadilha, minha perna dói e eu não consigo me soltar. 
 

O menino que reconhecera Taú, se aproximou do enorme leão, mas parou a alguns passos de distância: 

– Se eu te soltar, você vai me devorar Taú. 

O Leão então prometeu ao menino que nada lhe faria se ele o soltasse. O menino acreditando no leão, desarmou a armadilha e o libertou. Taú se espreguiçou e deu um altíssimo e terrível rugido que fez com que o menino estremecesse de medo. Taú chegou bem próximo do menino falou:

– Venha menino, tenho sede e fome, vamos até o lago onde vou beber água antes de devora-lo. 


– Você prometeu que não me devoraria. – Respondeu o menino amedrontado

Taú abriu um grande sorriso: 

– Eu disse que não te devoraria, mas essa é a minha natureza e não posso nega-la. 

O menino então teve uma ideia:

– Não é justo que você me devore, afinal se não fosse por mim você estaria preso e acabaria morrendo de fome ou pelos caçadores. E continuou – No caminho até o lago perguntaremos a todos os animas, que estão indo matar a sede, o que acham. Se a maioria achar que você deve me devorar, você me devora, se não, eu estou livre. 

Taú concordou com a proposta e os dois seguiram em direção ao lago. No caminho encontraram primeiro um javali, depois uma zebra, em seguida um antílope, ainda uma lebre e um macaco. Todos os bichos, com medo terrível de Taú, concordaram que o leão deveria devorar o menino. Afinal, antes o menino do que eles. Sem hesitar, Tuá devorou cada um deles, e ao final sempre dizia: "Essa é minha natureza."

Ao chegarem na beira do lago, o menino já desconsolado com seu terrível destino se deparou com um velho homem de nome Zaci. O velho era pequeno e encurvado e se apoiava em um longo cajado três vezes maior que seu tamanho. Mesmo sabendo que não adiantava mais, o menino perguntou pro velho se era justo que o Taú o devorasse depois dele tê-lo solto da armadilha. O velho Zaci coçou a cabeça dizendo:

 

– Não sei se entendi direito o que aconteceu, seria melhor se eu visse a armadilha. Me levem até lá. 

Taú deu um grande rugido enfurecido e disse – Vamos até lá e adem de pressa pra que eu acabe logo com isso. Ainda tenho fome e sede.

Quando chegaram no local da armadilha o velho Zaci disse:

– Não entendo senhor Taú, como você, o rei da savana, grande e forte como é, ficou preso nessa armadilha tão pequena. 

Táu enfurecido disse:

– Velho tolo, eu te mostrarei. 

Taú entrou na armadilha e antes que pudesse se dar conta o velho Zaci com seu longo cajado destravou a armadilha prendendo outra vez a perna de Taú. 

E assim o velho ancião conclui a história para os jovens da tribo. Desse dia em diante sempre que o grupo ia se banhar ou buscar água no lago, pelo menos três deles ficavam de guarda com longas lanças com pontas de pedras afiadas. Quando era sabido que alguma fera estava por perto uma pequena caça ensanguentada era deixada na margem oposta do rio, a fim de atrair os leões e leopardos para longe de onde o grupo estivesse. Geração pós geração essa história foi contada. E a simples menção da palavra leão, era suficiente para que os jovens se lembrassem do conto do ancião e da natureza feroz e dos perigos que aquele animal representava."

 

Porque Usar o Stroytelling? 
 

Na história "O Menino e o Leão Taú", é possível identificar e compreender o que é comunicação enunciativa e o que é comunicação narrativa. Ambas são necessárias e importantes para a comunicação humana. A grande diferença é que o enunciado atua de forma pontual, imediata – hic et nunc – e a narrativa, acaba por criar uma cultura, atuando de forma perene, fazendo parte e construindo o imaginário coletivo. 

Por tanto, a comunicação com base na estrutura narrativa ou storytelling tem como sua principal vantagem e característica afetar de forma empática a audiência, que experimenta a história narrada como se fosse um acontecimento consigo mesma e a formação de uma cultura que passa a compreender o mundo ao redor a partir das narrativas conhecidas. 

Não é à toa que a "contação" de história está na própria gênesis da civilização humana, tanto através dos mitos que construíram as estruturas sociais e em alguns casos se tornando até mesmo leis, religiões e costumes que funcionam como diretrizes morais, fazendo parte do imaginário coletivo que orienta o homem moderno no mundo contemporâneo. 

Saber contar uma boa história é a chave pra uma comunicação perene e transformadora. 

 

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